‘Abequar’: talento do Vale do Javari brilha nas telas e reforça representatividade indígena no cinema
Do Vale do Javari para o cinema nacional. O ator indígena Abrão Mayoruna, natural de Atalaia do Norte, protagoniza o longa-metragem Abequar e marca um importante capítulo na valorização da representatividade indígena nas produções brasileiras.
O filme conta a história de uma criança indígena que, movida pela curiosidade, entra em um avião de madeireiros contrabandistas e acaba desembarcando acidentalmente em São Paulo. Longe de sua aldeia e imerso em um mundo completamente diferente, Abequar enfrenta o choque cultural ao conviver com os “homens brancos”. Em meio a desafios e traumas, é a força da tradição de seu povo e sua conexão com a natureza que o conduzem por um processo de autoconhecimento, cura e reencontro com seu lugar de pertencimento.
A estreia do longa ocorreu em setembro de 2025, na cidade de Atibaia, e posteriormente na capital paulista, onde Abrão esteve presente e foi ovacionado pelo público. O filme já está inscrito em dois festivais de cinema, ampliando as expectativas para sua circulação no cenário nacional e internacional.
Para Abrão, que pertence à etnia Mayoruna (Matsés), viver seu primeiro papel como protagonista representa mais do que uma conquista profissional.
“Fazer parte deste projeto e, pela primeira vez, como protagonista, é um momento de muita alegria. Estou conquistando meu espaço no cenário cinematográfico nacional”, destacou o ator.
Além do talento de Abrão, o longa reúne um elenco majoritariamente formado por indígenas guaranis do estado de São Paulo, fortalecendo ainda mais a autenticidade da produção. Parte das filmagens ocorreu em Manaus, mas a maior parte foi realizada na capital paulista.
Abequar foi escrito e dirigido pelo cantor e músico Jaya Vitali, que aposta em uma narrativa sensível e potente para dar visibilidade às vivências indígenas contemporâneas.
Mais do que um filme, Abequar simboliza resistência, identidade e protagonismo. A trajetória de Abrão Mayoruna evidencia que o Vale do Javari também é celeiro de grandes talentos, capazes de ocupar espaços historicamente negados e transformar o cinema brasileiro com novas perspectivas e histórias que precisam ser contadas.
Parabéns Abrão pelo excelente trabalho, te desejamos muito sucesso.



