Justiça da Argentina ordena apreensão dos bens da ex-presidente Cristina Kirchner
Líder peronista e outros condenados em caso de corrupção foram condenados a pagar cerca de US$ 500 milhões em indenizações. Kirchner está presa desde junho de 2025.
Um tribunal de recursos da Argentina confirmou decisão de instância inferior e manteve o confisco de bens da ex-presidente Cristina Kirchner, no âmbito da condenação por corrupção pela qual ela cumpre pena de seis anos de prisão, informou o jornal local La Nación nesta sexta-feira (24).
A Justiça havia determinado que Kirchner e outros condenados no caso pagassem cerca de US$ 500 milhões em indenizações. A decisão foi contestada pela defesa da ex-presidente.
Em junho do ano passado, a Suprema Corte da Argentina proibiu Kirchner de exercer cargos públicos e manteve a condenação de 2022 à prisão por um esquema de fraude envolvendo o direcionamento de obras rodoviárias públicas na Patagônia a um aliado enquanto ela era presidente.
Kirchner cumpre a pena em prisão domiciliar, em um apartamento em Buenos Aires, de onde continua a liderar o partido peronista Justicialista.
Segundo o La Nación, Kirchner transferiu diversas propriedades para os filhos como adiantamento de herança, incluindo hotéis e apartamentos no sul da Argentina.
Processo por corrupção
O Ministério Público da Argentina pediu inicialmente uma pena de 12 anos para Cristina Kirchner por corrupção ligada à contratação de obras públicas. Posteriormente, a pena foi revisada para seis anos de prisão.
O julgamento, que começou em maio de 2019, investiga se houve direcionamento e superfaturamento na concessão de obras públicas na província de Santa Cruz, berço político dos Kirchner.
Para os promotores, ela e outros funcionários de seu governo favoreceram empresas de um homem chamado Lázaro Báez muitas das obras em questão nem mesmo foram concluídas. Especialistas suspeitam que uma parte do dinheiro supostamente desviado teria retornado às mãos da família Kirchner.
O Código Penal do país estabelece que quem for condenado por esses crimes será inabilitado para o exercício de cargos públicos.
“Esta é provavelmente a maior manobra de corrupção já conhecida no país”, disse o promotor Diego Luciani ao defender a sentença.
Em 1º de setembro de 2022, quando ocupava a vice-presidência do país, Kirchner foi vítima de uma tentativa de assassinato no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, ao sair de um evento.
O militante de extrema direita brasileiro Fernando André Sabag Montiel apontou uma pistola Bersa para seu rosto a poucos centímetros de distância, mas a arma falhou no momento do disparo. Montiel foi detido imediatamente e condenado a 10 anos de prisão no ano passado.
FONTE: G1