Líder indígena Orlando Rayo Acosta é eleito representante do Amazonas colombiano e dividirá bancada com Karina Bocanegra
As eleições realizadas na Colômbia no dia 8 de março definiram os novos representantes do departamento do Amazonas na Câmara dos Representantes.
Entre os eleitos está o líder indígena Orlando Rayo Acosta, que assume uma das cadeiras do departamento no Congresso colombiano. A outra vaga continuará sendo ocupada pela atual representante Mónica Karina Bocanegra Pantoja, que conquistou a reeleição.
A vitória de Rayo Acosta é considerada histórica para os povos indígenas da região amazônica, já que ele é reconhecido como uma das principais lideranças indígenas do país e possui uma longa trajetória na defesa dos direitos dos povos originários.
Orlando Rayo Acosta é indígena do povo Yagua, pertencente ao clã Ardilla, e nasceu em Buenos Aires Cotuhé, no distrito de Tarapacá, no departamento do Amazonas colombiano. Sua vida e atuação política são guiadas pelos princípios do Sistema de Conhecimento Amazônico, que orienta a relação entre as comunidades, a natureza e a espiritualidade dos povos da floresta.
Com mais de 22 anos de experiência em processos organizativos indígenas, Rayo atuou como dirigente em níveis local, regional e nacional, sempre voltado à defesa da unidade e dos direitos das comunidades indígenas do Trapézio Amazônico e das áreas não municipalizadas do Amazonas.
Ao longo de sua trajetória, desempenhou diversas funções em organizações indígenas. Trabalhou no Resguardo Indígena Isla de Ronda e teve papel ativo na Associação de Cabildos Indígenas de Tarapacá (ACITAM), onde ocupou cargos como tesoureiro, vice-presidente e vogal.
Também representou a Amazônia na Mesa Permanente de Concertación (MPC III) por mais de uma década, participando de diálogos entre organizações indígenas e o governo nacional.
Entre 2021 e 2025, Rayo foi eleito Conselheiro Maior da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), tornando-se o primeiro amazônico a ocupar o cargo. Durante esse período coordenou o trabalho das autoridades indígenas e contribuiu para fortalecer a organização em 28 departamentos com presença indígena no país.
Ao assumir a nova responsabilidade no Congresso, o líder indígena reafirma que seu compromisso continua sendo manter viva a palavra ancestral, proteger a vida e contribuir para o Bem Viver dos povos indígenas e de toda a sociedade colombiana.
A bancada do Amazonas na Câmara continuará contando também com a presença da representante Mónica Karina Bocanegra Pantoja, que garantiu a reeleição nas eleições mais recentes.
Bocanegra nasceu em Puerto Leguízamo, no departamento do Putumayo, e construiu sua carreira política na região amazônica. Ela é administradora pública e especialista em Gerência Social pela Escola Superior de Administração Pública (ESAP).
Antes de chegar ao Congresso, foi eleita deputada da Assembleia Departamental do Amazonas em 2007, cargo que ocupou por quatro mandatos consecutivos, período em que também exerceu funções de liderança dentro da corporação.
Em 2022, foi eleita representante à Câmara pelo Amazonas e passou a integrar a Comissão Segunda Constitucional Permanente, responsável por temas relacionados à política internacional, defesa e assuntos estratégicos do país.
Durante sua atuação no Congresso, Bocanegra participou de iniciativas voltadas para o desenvolvimento da região amazônica, incluindo projetos ligados à proteção ambiental, cooperação internacional e fortalecimento da economia regional.
Com a eleição de Orlando Rayo Acosta e a continuidade de Karina Bocanegra no Congresso, o departamento do Amazonas passa a contar com uma representação que reúne uma liderança indígena histórica e uma parlamentar com experiência legislativa.
A expectativa é que a dupla fortaleça no Congresso colombiano pautas estratégicas para a região, como a defesa dos territórios indígenas, a proteção da Floresta Amazônica, o desenvolvimento sustentável e o reconhecimento dos saberes tradicionais dos povos da floresta.
Para Rayo Acosta, a nova etapa política representa a continuidade de uma caminhada construída ao lado das comunidades amazônicas, com o propósito de levar ao Congresso a voz dos povos indígenas e contribuir para a unidade entre indígenas e não indígenas na construção de um futuro comum para a Amazônia e para a Colômbia.