Relatório aponta que 15% da floresta original da Amazônia já foi perdida; Colômbia responde por 4,5%

Um novo relatório do Programa de Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP), da ONG Amazon Conservation, aponta que 15% da floresta primária original da bacia amazônica já desapareceu. O estudo MAAP #250 estima a perda de 97,06 milhões de hectares de floresta primária nos nove países do bioma até o fim de 2025. Do total, 84,28...

Relatório aponta que 15% da floresta original da Amazônia já foi perdida; Colômbia responde por 4,5%

Um novo relatório do Programa de Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP), da ONG Amazon Conservation, aponta que 15% da floresta primária original da bacia amazônica já desapareceu. O estudo MAAP #250 estima a perda de 97,06 milhões de hectares de floresta primária nos nove países do bioma até o fim de 2025.

Do total, 84,28 milhões de hectares foram perdidos por desmatamento e outras causas não ligadas ao fogo, e 12,78 milhões por incêndios — em boa parte provocados pelo ser humano. A perda passou de 13,2% em 2021 para 15% em 2025. Só entre 2022 e 2025 foram 13,04 milhões de hectares, área quase 15 vezes maior que o Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Quem mais perdeu. O Brasil concentra 79,4% da perda de floresta primária. Na sequência aparecem a Bolívia (6,2%), agora a segunda colocada — era a quarta em 2022 —, o Peru (5,8%) e a Colômbia (4,5%). O cálculo usa como base uma floresta original de 647,6 milhões de hectares.

As rotas de umidade. O relatório analisa a perda ao longo dos rios atmosféricos que transportam umidade pela Amazônia. As rotas da estação seca e da transição perderam quase três vezes mais floresta do que a da estação chuvosa: 3,2% na rota úmida, 9,1% na de transição e 8,6% na seca. Essas rotas sustentam as florestas do sudoeste amazônico, no Peru e na Bolívia, onde mais de 70% da chuva depende da umidade reciclada pela própria floresta.

Risco de ponto de inflexão. Segundo a literatura científica, a Amazônia pode se aproximar de um ponto de não retorno com perda de cerca de 25%, combinada aos efeitos da mudança do clima. “Nos aproximamos do ponto em que o ciclo hidrológico que sustenta as florestas tropicais pode ser interrompido de forma permanente”, alerta Matt Finer, diretor do MAAP.

O cenário preocupa ainda mais com a previsão de um El Niño intenso, que deve se fortalecer no fim de 2026. O MAAP #248 indica que o fenômeno pode alterar o fluxo de umidade da estação chuvosa, prolongar as estações seca e de transição e elevar o risco de incêndios — justamente nas regiões onde as rotas de umidade já estão mais desmatadas.

Para a tríplice fronteira, o alerta é direto: a saúde da floresta em torno de Letícia, Tabatinga e das comunidades do Alto Solimões depende de um ciclo de chuvas que atravessa toda a bacia — e que já dá sinais de enfraquecimento.

 Fonte: Noticias Ambientales / MAAP – Amazon Conservation